segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Augusto dos anjos em mim...

No ardor do sonho que o fronema exalta
Construí de orgulho ênea pirâmide alta...
Hoje, porém, que se desmoronou

A pirâmide real do meu orgulho,
Hoje que arenas sou matéria e entulho
Tenho consciência de que nada sou!

---***---

Tenho estremecimentos indecisos
E sinto, haurindo o tépido ar sereno,
O mesmo assombro que sentiu Parfeno
Quando arrancou os olhos de Dionisos!

---***---

Para reproduzir tal sentimento
Daqui por diante, atenta a orelha cauta,
Como Mársias - o inventor da flauta -
Vou inventar também outro instrumento!

Mas de tal arte e espécie tal fazê-lo
Ambiciono, que o idioma em que te eu falo
Possam todas as línguas decliná-lo
Possam todos os homens compreendê-lo!

---***---

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!


Rir é o melhor remédio??

...
e quando ele não vem?
Logo paro e penso
e me doi o peito
e me sufoca a alma
e me consome em leito

Esperança fala pouco
receio, bem mais alto.
Um fato, um ato, um pouco
sem o qual, nenhum outro
causaria tal conceito.


Tem cura a dor do arrependimento
quando sua propria consciencia te condena?

O perdão é algo inestimável
da dinidade de quem o concede.

Mais fácil é perdoar quem apunhala,
do que a consciencia de quem fere!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Em pensar no que não fiz
e do que fiz lembrar
e meu olho sonhar
e meu sonho crescer
e crescer sem sorrir
e sorrir por amar
e pensar em sofrer
me torno um forte, um monte, um vale
sem solidez ao centro,
com uma excência abstrada
que menos vale ser rei.

Eu me alimento de idéias,
onde o sorrir, o querer e o sonho
são partículas de sentimento
que da alma é acalento.

Mas centelhas de pensamentos
sentidos, fracos, inspiradores
me tornam capaz de ser luz
de ser mar, maré
atordoadores em uma revolução de idéias

Fagulhas de esperança calam meu peito
porque choro, logo sinto
porque calo, e sinto
porque vejo,
e não falo
mas penso...
e vivo.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Um sangue quente que incendeia a pureza
Um calor que corrompe....

Olhos que já não enxergam.
Mãos que já não sentem...

Tampo então os ouvidos.
e finjo ouvir os anjos
cantando em minha mente.


lá rá rá

Ardor

Despida de vontade
Despida de desejo
sou movida a paixões, desnorteadas sensações
Mesmo envolvida com tudo o que desejo.

Mas qual o meu desejo?

Meu vazio é sem razão.

Preciso amar, e sofrer
Preciso sorrir e chorar
sou movida pela paixão, eis meu combustível.
Antes alcançar o fundo do poço
do que viver em um constante.

Deixe-me chorar
ao menos compenso em alegrias absurdas

Deixe-me cair, eu sei me levantar
Antes o conflito de amar,
do que a passividade de uma vida segura.

domingo, 3 de maio de 2009

Hipnose

Dependências de amores
Escrupulosos e excessivos
mantidos em confidência.

Você é minha flor.
Diria eu que te desejo
através de máscaras.

Diria eu que visualizo
amores lúdicos.

Diria então que busco.
Busco enquanto os ventos
espalham as folhas de outono
despejadas no chão úmido.

Encontro então,
seu perfume característico.
Não o vejo, mas sinto
É o que me desperta.
É o que te distingue quando
me encontro narcotizado
pelo brilho dos olhos
de uma determinada flor.