segunda-feira, 30 de maio de 2011

Culpa, odio, ensejo
um lampejo de furia
incontrolavel desejo.

Calor impedido no ato
um fato, um auto-retrato.
Retratando mentiras sentidas
contra verdades vistas.

E sentiu...
Longos e incansaveis beijos
sem sequer beijar
o extase e o suor do cansaço
sem amar...
sem culpa, sem furia, com desejo
tudo ao intermedio do olhar.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Pacifico oceano de medos
pedra preciosa, erva daninha
vida, morte, esperança
dor, sorte ou lembrança

És para mim o que é
sendo, ou ate sem querer ser
se entregando, negando
medindo, chorando

Dada a dádiva de um dia ter sentido
tal murmúrio de afeto em meus ouvidos
tornou-se doce ternura, forte lamúria
tênue desejo, intensa cura.

No que sinto o toque
me engano...

No tato, a matéria
na alma, oceano.

quinta-feira, 3 de março de 2011

O som mudo de seus beijos
Falam mais que qualquer som
Quanto sinto o desejo
O tato, o frisson.

São palavras doces, delicadas
Insinuantes, ousadas
Tentadoras, promiscuas
Ininterruptas.

Um movimento rijo, continuo
Onde os únicos sabores
são tentações, tremores
Magoas e o sal das tuas lagrimas.

Palavras mudas, lindas, úmidas
Renascidas...
Sentidas, não ditas.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Que se faça sorrir o dia
quando a sombra vazia tornar-se alma...

Saudade e o Vácuo

saudade é coisa pouca
como sombra no verão
andando sempre à frente,
nunca ao alcance da mão.
cada passo a seu encontro,
desconforto e enorme assombro.


- corre de mim! corre!

- um dia te alcanço e te esmago entre os dedos!

- te aperto e me afago o peito..

- te vejo escapar, e me tombo.

- como um salto no vácuo…

não há saudades no vazio, como não há sombras do lado de dentro do medo.

(Homenagem de estímulo ao querido amigo Helder D. cujo talento deve ser reconhecido)

domingo, 4 de julho de 2010

Explodam palavras!
Sejam cuspidas, arremessadas.
Não se engasguem, gritem!
Que mal há?
Sejam apenas o que são.

Assim são, assim serão.

Saiam do peito e materializem-se,
Assim, sopradas, ouvidas, talvez compreendidas...
E serão!
Que mal há?

Morrerão como pensamentos?
Sentidos? Dores? Dúvidas?

Se assim forem, sejam apenas isso, o que são!

E então, não serão palavras, ou sentidos, ou dores ou duvidas.
Serão apenas verdades...
Era tão linda...

A música
O vento, a cor... E seus olhos!

Queria correr, sentir.
Vendo a saia rodando no vento,
No tempo sentido me sento,
Ouço e calo...
Como não calar deveras?

Como não calar ao luar, ao som, à música...
A musica...
E seus olhos fecharam!

Me calei, sem sequer haver música;
Ou encanto...
Era o grito contido do pranto
Que urrava de dentro do seio.

No seio...
E este,
Já não estava ali pra me aquecer!